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30 de junho de 2010

Arte Negócio //// Teatro Comercial

Depois de uma longa pausa, estamos de volta para continuarmos a falar sobre o teatro, os elementos que o compõem e nossas reflexões sobre vários assuntos relacionados a este.

Hoje, falaremos sobre o que as pessoas chamam de teatro comercial e sobre o que pensamos sobre isso.

Muitas pessoas enxergam no teatro uma forma de ganhar dinheiro "fácil". O teatro é um ofício como qualquer outro, mas tem suas particularidades. Antes de ser um ofício, estamos lidando com arte, cultura... e devemos ter muito cuidado com isso, pois, infelizmente, a cultura em nosso país é muito abandonada, deixada de lado.

Cada pessoa que participa de qualquer maneira em uma produção de um espetáculo, seja de teatro propriamente dito, de dança, de música, de mágica ou de qualquer outra forma de arte, é responsável pelo público que o assiste.
Quando um ator, um diretor, um coreógrafo, um produtor (etc) faz um espetáculo de má qualidade, pensando apenas em ganhar dinheiro e sem se preocupar em apresentar algo de conteúdo ou bem feito para o seu público, ele está comprometendo a arte como um todo.

Quando este público está submetido a uma série de maus espetáculos e isto se prolonga, ele fica mal acostumado. Então, quando algo de qualidade surgir diante de seus olhos, ele não se interessará.

Aos que "fazem" os espetáculos, incluindo artistas, equipe técnica, produção etc: FAÇAM ESPETÁCULOS DE BOA QUALIDADE, DE CONTEÚDO.

Aos que assistem espetáculos: ESCOLHAM BONS ESPETÁCULOS PARA ASSISTIR.

Assim, lutamos todos pela cultura de nosso país e não permitimos que ela morra.

15 de março de 2010

O Ator - Parte II - Estudos e Profissionalização

Continuando o assunto do post anterior,

O Ator - Parte I - Primeiros Passos

Vamos agora falar dos estudos e da profissionalização do ator (pensando sempre da definição que demos no post citado acima).

Quando alguém toma a decisão de viver de arte num país como o Brasil, enfrenta muitas dificuldades; a primeira delas é a aceitação dos pais. Muitos acabam por proibir os filhos de fazerem teatro. Outros, menos radicais, tentam apenas convencê-los e, não conseguindo, se conformam com esta escolha. A aceitação real é muito difícil, pois todos sabemos, mesmo inconscientemente, os obstáculos a serem enfrentados.

Passado este primeiro impecílio, há basicamente três caminhos a se percorrer rumo a esta idéia:
  • Curso Superior
  • Curso Técnico ou
  • A Cara e a Coragem
Curso Superior: tem um reconhecimento maior pela sociedade, mas muitas vezes não satisfaz as espectativas dos estudantes, pois não os prepara para o mercado de trabalho. Foca-se muito a teoria e uma prática "teórica", mas o aluno não se depara com situações que ele enfrentará no mercado de trabalho como prazos, estilos de trabalho e de direção diferenciados, o lado buracrático e financeiro, entre outras.

Curso Técnico: tem um reconhecimento um pouco menor pela sociedade, pois sempre há a cobrança do nível superior, mas isso começa a mudar hoje em dia. O aluno tem um pouco mais de contato com as situações a serem enfrentadas no mercado de trabalho, mas ainda é apenas um esboço.

A Cara e a Coragem: o ator geralmente vai para um grande centro (São Paulo, Rio etc) e participa de muitos testes até que consegue um papel em algum espetáculo ou algum contrato em algum evento e trabalhos do tipo. Muitas vezes ele consegue vários trabalhos, conseguindo de fato sobreviver de sua arte, entretanto, mais cedo ou mais tarde ele sentirá falta de estudos teóricos e mesmo práticos com os quais ele não teve contato. A profissão exige dele esses conhecimentos.


Então agora deve ter surgido a dúvida: QUAL O MELHOR CAMINHO A PERCORRER?

Uma mescla deles. Um curso, seja ele superior (que te dá um diploma e o tão sonhado D.R.T.) ou técnico (com vivências teatrais difenciadas e uma liberdade maior na grade curricular) e a coragem de CONSTRUIR AS OPORTUNIDADES.
Durante o curso que você esteja fazendo, tenha contato com atores que já vivem desta profissão, converse com eles, saiba as dificuldades que eles enfrentam e identifique no seu curso as falhas com relação a isso (nenhum curso é perfeito e nem consegue preparar totalmente o ator). Identificados os problemas da sua formação, vá, ainda durante os estudos, buscando outras fontes para suprir estas falhas. Quem faz a sua formação é você.
Depois de formado (e mesmo antes) dê as caras e faça suas oportunidades aparecerem. A OPORTUNIDADE é filha de BONS CONTATOS, e todos os contatos são bons, pois cada um te leva a um determinado lugar. Fale com as pessoas e escute-as; mostre quem você é, mas deixe que ela se mostre a você também; seja sempre agradável e jamais desrespeite uma pessoa, seja ela quem for, pois EDUCAÇÃO e RESPEITO é quesito básico para ser HUMANO.
E lembre-se: você pode criar as suas oportunidades tanto em grandes centros quanto em cidades pequenas e que sequer conhecem esta arte. Há espaço para todos e em todos os lugares. Você deve mostrar o seu valor e o que te faz diferente dos outros.

E O D.R.T.*?

Ter ou não o D.R.T. não te faz mais ou menos ator e nem te coloca na posição de profissional, pois muitos atores com DRT vivem de outras atividades e muitos atores sem ele fazem da sua arte a sua profissão.
O DRT serve, praticamente falando, para te abrir as portas. Muitas vezes, para se candidatar a uma vaga em qualquer projeto, há a exigência do DRT, mas não significa que o fato de tê-lo garantirá a sua contratação. É apenas um quesito básico, mas o que será avaliado será o seu trabalho, adequação ao perfil procurado e etc.

Para finalizar o nosso post de hoje fica a reflexão:

As OPORTUNIDADES não aparecem, elas são CULTIVADAS.

Para os próximos posts falaremos dos elementos que compõem o teatro, como iluminação, cenografia, texto, direção, atuação e etc.



*É o resgistro profissional na Delegacia Regional do Trabalho. Há o DRT para várias funções, entre elas a de ator. É o que te torna (aos olhos do governo) um profissional de determinada área, no caso aqui, um ator profissional.